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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Ekhuro Yo Ophenta(the power of love)



Visitei Ekhuro Yo Ophenta.

Mas que mardade!
Isso mesmo MARDADE.
Tomara fosse maldade, menos mal seria
Que egoísmo...
Terem mantido só pa vcs
Esse cantinho que é de poesia demais...
De beleza capaz
De desfazer as faces feias da realidade
Que crueldade deixarem que o poder do amor
Vos consumisse só a vós.

Estou juntando paus e capim.
Estou juntando caniço.
Vou lá fazer minha palhota.
E uma pequena horta para sobreviver.
Regada pelo amor
Sei que terá verduras para toda eternidade.

Vou criar patos e galinhas
Pombos para paz
Vou criar um cachorrinho para me defender
Das noites escuras de tristezas

Vou desposar uma macua ou manhambane
Daquelas belas queimadas pelo sol ilheu
E ou alimentada pelo leite de coco
De corpo farto e amores transbordantes
Para me saciar os sonhos

Vou procriar, multiplicar e encher a terra
Assim como mandou o dono do universo
Vou amar sem reclamar
Amar farto como o mar
Vou pôr a prova Ekhuro Yo Ophenta

Nelson Livingston

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Eu também amo...


Como qualquer ser miserável
Eu também amo
Canto com a alegria das manhãs de sol
Chuva quente sobre a terra gretada
Eu também amo.

Trago também dentro de mim um coração
Um vasilhame cheio de almas
Paixões estrondosamente acumuladas
Trago as idades, cidades e verdades

Eu choro como qualquer ser miserável
Como mendigo sem abrigo
Rogo que me acolham em alguma alma
Também amo.

Sonho nas noites
Que me acompanha um cometa
Que viajo num mar ondulado de carnes
Sonho que sou homem e sou pecador

Na lucidez do dia empunho a pena
E escrevo versos de amor
Ou simplesmente imito os já escritos
Gaguejo as mais belas cantigas de amor
Eu também amo

Visito jardins
Colho rosas
Vermelhas, brancas, azuis
Abraço a solidão
Me esqueço no chão
Eu também amo.

Beijo rosto
Beijo boca
Beijo sabores
Faço arte de carícias
Exploro terrenos
Eu também amo

E as vezes o amor me sorri
Me abraça e me acolhe
Me escolhe seu único
Ai eu amo
Como qualquer ser miserável
Eu também amo.

Nelson Livingston

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

A minha dor


Chegou ao fim

Essa mania de escrever dor alheia

Hoje venho derramar na areia

Oque vai em mim


Dor própria me coroendo a alma

Grudada em mim

Como as palavras na palma


Seu fosse forte

Chamava a morte

Convidava levar-me com ela

A me desprender da carne que doi


A minha dor esta dentro e fora

Ontem e agora

Sei que estará por uma temporada


É no berços dessas coisas de amar

Que ela foi se deitar

É de lá que ela nesceu

E cresceu rápido


Não lhe vi os mêses passarem

Até que em prematuro surgiu

E ao mundo se fez realidade.


Não foi à incubadora

Mas directa se me instalou no coração

Aqui onde agora mora


Essas gotas descendo das mãos

Das letras, da pena

Nados mortos, tentativa abortada

De me ver livre dela.



Nelson Livingston

domingo, 20 de janeiro de 2008

É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o Sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.
                                    Alberto Caeiro

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Sê




Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

Pablo Neruda

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Em Busca de Liberdade



O medo de te ver me assusta
Todo medo assusta não e verdade?
Mas esse me assusta
Me deixa até assustado, pense nisso!

Passas no meu pensamento
E tapo a cara
Fecho os olhos para não te ver
Mas ai você vai para o coração

Despertas no coração
E eu paro de respirar
Paro de viver para não te ver
Mas mesmo morto tu estás lá
Deitado na minha urna
Grudado na minha morte
Ou na alma que vagueia
Como me livro de ti?


Nelson Livingston

Vestido de Preto


Hoje acordei vestido de preto
É que a alma s´enamorou
Pelo escuro da noite
E em nascendo o dia
Lhe negaram o divórcio

Há dias assim
Que os joelhos tremem à luz do sol
O sorriso desobedece
O dia nasce prematuro
E nem aceita
Ir para incubadora

Hoje é meu dia...

Nelson Livingston

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008


Não ame!

Não reclame

Não diga, não siga

Deixe-se ficar

Deixe a vida escorrrer

Entre dedos e segredos

Deixe o monstro homem se mostrar

Não ame!


Nelson Livingston

Meu Desejo de Amar


Se eu amasse não diria

Deixaria que o coração que ama

Tomasse conta da falação

Fizesse das suas e se mostrasse amando


Nem canto nem poesia faria

Nem profecia

Me calaria no silêncio como faz a morte

Que chega sem barulhos

Sem mergulhos

Chega lenta, sonolenta e preguiçosa

E nem com isso deixa de ser perigosa


Se eu amasse fugiria dos homens

Esses que inventam berços e versos

Onde parem suas ignorâncias

Onde exaltam a sua finitude


Eu amaria como os deuses

Esses de quem temos história

Amaria sem espaço e sem tempo

Amaria no invisível das palavras

Na realidade da existência


Nelson Livingston

O meu dever de homem


Quando amanhecer

Me acordem por favor

Desse sono que me ajuda a suportar a dor

Me gritem aos ouvidos

Como fazem os tambores do nhambalo

Esses que suaves me lembram a idade

Que se foi para eternidade


Antes que o sol me sufoque

Me provoque orgasmos esquecidos

Me acordem por favor

Do conforto dessa minha sepultura


Não quero estar das longe

Das batalhas que se anunciam

Quero que minha alma também seja tatuada

Com lanças e escudos

Quero fazer parte da dança


É que espólios nos esperam

E embora nem me interessem

Quero ser contado entre os homens

Que afugentaram a paz

E trouxeram o sossego


Nelson livingston

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

A noite

A noite chegou
Escura como carvão
Negra como meu coração
Dura e estonteante como o álcool
Chegou e meus olhos cegou

As forças no vigor de sempre
Se rebelam
Me negam companhia
Me negam as ordens
Dizem que vão longe no tempo
A noite chegou

Os mochos miam
Me cantam suas sabedoria
E ridicularizam a minha
Os chacais me abraçam com sorrisos disfarçados
Bichos desgraçados
Que já foram sangue do meu sangue

A noite chegou
Para longe vai a luz do dia
Longe, tão longe que não existe mais
E nunca existiu
Porque até a caixa guardadora
Lhes nega existência

A noite chegou
Mas não quero dormir
Quero assobiar um pouco mais
Para os ouvido que se fazem surdos à minha volta
Quero existir mesmo no escuro
Tacteando entro murros e paredes
Quero existir


Nelson Livingston