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sábado, 6 de novembro de 2010

Arte de Ser mãe

Deixa-me juntar como farinha numa esteira
Palavras espalhadas no coração
Mistura de sentimentos
E desejar-te sucessos
Na arte de ser mãe
Essa coisa de gerir o mundo
Escondido na vida do filho

Nelson Livingston(Renatus)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

René, meu filho I !

Ontem vi a lua enciumada
Bisbilhotando
A nossa intimidade de pai e filho
Apurou o ouvido
E quase nos escutou a conversa
Olhei-a nos olhos
E perguntei
Oque queria
A lua foi sinceira
Disse que se sentia só
No escuro da noite
E queria nossa companhia
Pensei nas estrelas
Que sempre pensei
Que sempre acompanham a lua
E foi ai que percebi
Me lembrei
Que sentir-se só
Não é o mesmo que estar só

Filho,
Eu sou grato à Deus
Porque contigo
Não estou
Nem me sinto só

Nelson Livingston(Renatus)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Ekhuro Yo Ophenta(the power of love)



Visitei Ekhuro Yo Ophenta.

Mas que mardade!
Isso mesmo MARDADE.
Tomara fosse maldade, menos mal seria
Que egoísmo...
Terem mantido só pa vcs
Esse cantinho que é de poesia demais...
De beleza capaz
De desfazer as faces feias da realidade
Que crueldade deixarem que o poder do amor
Vos consumisse só a vós.

Estou juntando paus e capim.
Estou juntando caniço.
Vou lá fazer minha palhota.
E uma pequena horta para sobreviver.
Regada pelo amor
Sei que terá verduras para toda eternidade.

Vou criar patos e galinhas
Pombos para paz
Vou criar um cachorrinho para me defender
Das noites escuras de tristezas

Vou desposar uma macua ou manhambane
Daquelas belas queimadas pelo sol ilheu
E ou alimentada pelo leite de coco
De corpo farto e amores transbordantes
Para me saciar os sonhos

Vou procriar, multiplicar e encher a terra
Assim como mandou o dono do universo
Vou amar sem reclamar
Amar farto como o mar
Vou pôr a prova Ekhuro Yo Ophenta

Nelson Livingston

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Eu também amo...


Como qualquer ser miserável
Eu também amo
Canto com a alegria das manhãs de sol
Chuva quente sobre a terra gretada
Eu também amo.

Trago também dentro de mim um coração
Um vasilhame cheio de almas
Paixões estrondosamente acumuladas
Trago as idades, cidades e verdades

Eu choro como qualquer ser miserável
Como mendigo sem abrigo
Rogo que me acolham em alguma alma
Também amo.

Sonho nas noites
Que me acompanha um cometa
Que viajo num mar ondulado de carnes
Sonho que sou homem e sou pecador

Na lucidez do dia empunho a pena
E escrevo versos de amor
Ou simplesmente imito os já escritos
Gaguejo as mais belas cantigas de amor
Eu também amo

Visito jardins
Colho rosas
Vermelhas, brancas, azuis
Abraço a solidão
Me esqueço no chão
Eu também amo.

Beijo rosto
Beijo boca
Beijo sabores
Faço arte de carícias
Exploro terrenos
Eu também amo

E as vezes o amor me sorri
Me abraça e me acolhe
Me escolhe seu único
Ai eu amo
Como qualquer ser miserável
Eu também amo.

Nelson Livingston

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

A minha dor


Chegou ao fim

Essa mania de escrever dor alheia

Hoje venho derramar na areia

Oque vai em mim


Dor própria me coroendo a alma

Grudada em mim

Como as palavras na palma


Seu fosse forte

Chamava a morte

Convidava levar-me com ela

A me desprender da carne que doi


A minha dor esta dentro e fora

Ontem e agora

Sei que estará por uma temporada


É no berços dessas coisas de amar

Que ela foi se deitar

É de lá que ela nesceu

E cresceu rápido


Não lhe vi os mêses passarem

Até que em prematuro surgiu

E ao mundo se fez realidade.


Não foi à incubadora

Mas directa se me instalou no coração

Aqui onde agora mora


Essas gotas descendo das mãos

Das letras, da pena

Nados mortos, tentativa abortada

De me ver livre dela.



Nelson Livingston

domingo, 20 de janeiro de 2008

É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o Sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.
                                    Alberto Caeiro

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Eu sonho

Mulher Africana


Meu amor, meu docinho,minha vida,

meu coração enfim fiquei sem palavras

Estou perdido neste mar de emoções.

Tu deixas-me esquecido...

Esqueces até o desejo de te ver.

Desejo de te sentir.

Desejo de ti.

Pedes-me Paz.

Eu peço-te esperança e atenção.

Dá-me a tua presença eu dar-te-ei a Paz.

Arrisca.


Deixa-me entrar no teu coração.

Abre-o, solta-o, deixa-o falar. Ouve-o.

Não te escondas dele.

Aperta-o contra ti e não o deixes fugir.

Se eu te der já a Paz que me pedes, jamais terei a tua atenção.

Tenta perceber isso.

E eu quero a tua presença e atenção esta semana.

Quero-o porque SEI que é o melhor para todos.

Eu não posso, nem quero lutar contra aquilo que sinto.

Não posso abandonar os meus sentimentos como quem apaga um cigarro.

Não posso cuspir no meu coração.

Quero apenas ver-te, estar um pouco contigo.

Será a vida assim tão complicada que já nem nos permite sonhar?

As leis do Universo são pequenas demais para o que representas para mim.

Deixas-me esquecido.

Deixas-me sonhar.

Deixas-me acreditar e depois,
Já sei que vais dizer que tentaste
E fizeste tudo por tudo para estar comigo.

Mas não vens...

Nao sei o que já passaste e sofreste

Mas só alimentando o coração ele pode viver outra vez.

Não suma mais...

Pois o teu sumiço é uma tristeza para mim,...é um sufoco...o teu simples bip é uma alegria infinda para mim...

O Otrosser é louco porque tu o deixas louco!

Próximo mês dia 25, sabes o que é?

Eu sei que vais dizer que te esqueceste,

Mas eu terei o prazer em ti lembrar,

É mais uma data do aniversário do nosso amor

7 anos (bodas de algodão), o que vamos fazer?

Não temos economias mas podemos tentar fazer algo meu bem....


Later to you and her


(Texto adaptado)

CF

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Sê




Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

Pablo Neruda

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Carta de um Contratado


    Eu queria escrever-te uma carta
    amor
    uma carta que dissesse
    deste anseio
    de te ver
    deste receio de te perder
    deste mais que bem querer que sinto
    deste mal indefinido que me persegue
    desta saudade a que vivo todo entregue...

    Eu queria escrever-te uma cara
    amor
    uma carta de confidências íntimas
    uma carta de lembranças de ti
    de ti
    dos teus lábios vermelhos como tacula
    dos teus cabelos negros como dilôa
    dos teus olhos doces como macongue
    dos teus seios duros como maboque
    do teu andar de onça
    e dos teus carinhos
    que maiores não encontrei por aí...

    Eu queria escrever-te uma carta
    amor
    que recordasse nossos dias na capôpa
    nossas noites perdidas no capim
    que recordasse a sombra que nos caía dos jambos
    o luar que se coava das palmeiras sem fim
    que recordasse a loucura
    da nossa paixão
    e a amargura nossa separação...

    Eu queria escrever-te uma carta
    amor
    que a não lesses sem suspirar
    que a escondesses de papai Bombo
    que a sonegasses a mamãe Kieza
    que a relesses sem a frieza
    do esquecimento
    uma carta que em todo Kilombo
    outra a ela não tivesse merecimento...

    Eu queria escrever-te uma carta
    amor
    uma carta que te levasse o vento que passa
    uma carta que os cajus e cafeeiros
    que as hienas e palancas
    que os jacarés e bagres
    pudessem entender
    para que se o vento a perdesse no caminho
    os bichos e plantas
    compadecidos de nosso pungente sofrer
    de canto em canto
    de lamento em lamento
    de farfalhar em farfalhar
    te levasse puras e quentes
    as palavras ardentes
    as palavras magoadas da minha carta
    que eu queria escrever-te amor...

    Eu queria escrever-te uma carta...
    Mas ah meu amor, eu não sei compreender
    por que é, por que é, por que é, meu bem
    que tu não sabes ler
    e eu - Oh! Desespero - não sei escrever também!

António Jacinto

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Em Busca de Liberdade



O medo de te ver me assusta
Todo medo assusta não e verdade?
Mas esse me assusta
Me deixa até assustado, pense nisso!

Passas no meu pensamento
E tapo a cara
Fecho os olhos para não te ver
Mas ai você vai para o coração

Despertas no coração
E eu paro de respirar
Paro de viver para não te ver
Mas mesmo morto tu estás lá
Deitado na minha urna
Grudado na minha morte
Ou na alma que vagueia
Como me livro de ti?


Nelson Livingston

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008


Não ame!

Não reclame

Não diga, não siga

Deixe-se ficar

Deixe a vida escorrrer

Entre dedos e segredos

Deixe o monstro homem se mostrar

Não ame!


Nelson Livingston

Convite


Vem me amar

Vem teu amor me chamar

Percorrer meu mundo

Descobrir curvas e penumbras


Vem fazer um ninho de carinhos

Nos galhos do meu ser

Cantinhos pra se abrigar

Dos males da solidão


Vem cantar ao som do mar

Assobio do vento que acaricia a floresta

Altar dos meus sonhos impossíveis

Vem fazer-me uma serenata


Nelson Livingston

Equívocos...

Amor...

Vê se me acha

Perdi-me nas nuvens do sabor

E as ondas do teu mar me afogaram


Esqueci a voz

No leito de tuas carícias

Os olhos ficaram pendurados

Na escultura dos teus artesãos

Vê se me acha


Quero voltar a ser meu

A voar como pássaro nas asas próprias

Sentir o ar entrar e sair

A vidar crescer e morrer


Se não me achares

Nunca me terás

Viverei embriagado

Nos amores dos teus alambiques

Viverei escondido na tua existência invisível

Nunca serei teu


Nelson Livingston

Meu Desejo de Amar


Se eu amasse não diria

Deixaria que o coração que ama

Tomasse conta da falação

Fizesse das suas e se mostrasse amando


Nem canto nem poesia faria

Nem profecia

Me calaria no silêncio como faz a morte

Que chega sem barulhos

Sem mergulhos

Chega lenta, sonolenta e preguiçosa

E nem com isso deixa de ser perigosa


Se eu amasse fugiria dos homens

Esses que inventam berços e versos

Onde parem suas ignorâncias

Onde exaltam a sua finitude


Eu amaria como os deuses

Esses de quem temos história

Amaria sem espaço e sem tempo

Amaria no invisível das palavras

Na realidade da existência


Nelson Livingston