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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Lágrimas


Se as lágrimas fossem minhas
Como é meu
O desejo de derramá-las,
Ao sabor da dor que me abraçou
Destilava todas elas
Até secar o mar que as produz

Se curassem a tristeza
Que por mim s´enamorou
Esse sentimento que me tempera a alma
Buscava até alheias
Para engrossar meu saco

Se lavassem as nódoas
Que o tempo deixa
Essa marcas grudadas na memória
Eu deixava que elas passassem por mim
Escorressem o rosto, o gosto, o peito
A planta dos pés
Lavassem o tempo e o esquecimento
Deixava que me purificassem a idade

Se trouxessem de volta
Os mortos pelas quais as derramo
Resolvessem injustiças que reclamo
Seria bem mais valiosas
Preciosas como ouro e prata.

Nelson Livingston
pela morte de Joana

JOANA MORREU(R.I.P)...


O sol já acordado
Molhado pela chuva e pelo Zambeze extasiado
Espreguiçado no leito
E já alto no salto do dia
estremece meu peito
E me chega a notícia que Joana morreu

Joana morreu
Com poucos anos de vida
Mas muita vida nos anos de vida
Partiu num silencioso grito
Que me deixa na dúvida se algum dia entenderei
A neutralidade desse fenómeno.

Joana morreu
Arrastando para sepultura
A beleza que a natureza lhe confiou
E a vaidade lhe acrescentou

Um corpo tatuado de aventuras
Carnes despejadas ao rigor dos olhos
Memórias de tempos adiados
Uma juventude esforçada em maternidade
Joana morreu no tempo certo

Joana morreu deixando para trás
Almas famintas de amizade
Um exército de admiradores
Que cedo não a esquecerão
Uma pergunta que se eterniza com a morte
"Porque Joana morreu?"

Joana morreu e gerou essas e outras linhas
Lágrimas feitas frases
Dor disfarçada em coragem
Tristeza misturada na poesia.
Adeus Joana
Até a vista

Nelson Livingston