domingo, 21 de junho de 2009

NO DIA DOS PAIS


Olha pai
hoje senti saudades de ti
as mesmas saudades que ontem senti
saudades de antes de ontem
saudades todos os dias

Senti saudades de tua presença
aquela segurança
que mesmo ausente
transmitias de alguma forma

Senti saudades do teu silêncio pensativo
das palavras não faladas
gestos que eu tinha decorado
do teu ser
só teu meu pai

Senti saudades do olhar carregado
olhar que depois aprendi
ser de amor
ser de carinho

Senti até saudade
da tua vara disciplinadora
das minhas travessuras de menino

Hoje senti saudades de ti
As mesmas saudades de amanhã
De depois de amanhã
Saudades de todos os dias

Nelson Livingston

sábado, 13 de junho de 2009

MINHA TEMPESTADE

Estou numa tempestade
Própria da minha idade
Pequeno que sou
Sozinho como estou
Nesse mundo de mundos que me rodeiam

Soltei as amaras todas
Me fiz ao mar
Mesmo sem saber amar
Semsaber nadar
Deixei os ventos do desejo me levarem nos seu braços
Ao infinito da ignorância

Estou na tempestade
Ainda estou
Soltei agora a âncora
No nada dessa imensidão que me assusta
Queria alguma terra firme
Qualquer terra firme
Algum porto
Onde pôr os pés trémulos

Nelson Livingston

quinta-feira, 11 de junho de 2009

SAUDADES DO JUNIOR


Olha Junior!
Teres partido de forma súbita
Nos ensinou que o depois
Pode num abrir e fechar dos olhos
Tornar-se nunca
É que as tantas palavras lindas
Que podiamos querer de dizer “depois”
Agora teremos que as dizer é “nunca”
Porque é nunca
Que te teremos no nosso meio

Teres partido antes de teres chegado
Nos ensinou o valor que temos
Mesmo quando não parecemos ter
E não tem nada a ver com a nossa presença
Basta a ideia de nossa existência
E tenho quase certeza meu filho
Que é dai que joram as saudades que sentimos

Teres partido como partiste
Nos ensinou que nem todo mal tem um culpado

Nelson Livingston

domingo, 17 de maio de 2009

Atrasado!

Se foi o dia das mães
E eu que me digo filho
Que com orgulho carrego esse nome
Nem uma palavra
Algum gesto de filho

Se foi o dia
Mas o sentimento
Esse nunca vai
Nem vem
Apenas existe
Mesmo quando não o percebo

Ainda bem que nunca é tarde
Para se dizer oque se sente

Nelson Livingston

sábado, 9 de maio de 2009

Entre a Espada e a Parede


Como se diz a uma mulher
Que já não se lhe ama mais
Que nunca alguma vez se lhe amou
Que palavras, gestos ou silêncios
Podem minimizar a crueldade dessa crueldade?
Há como dizer isso de forma menos dolorosa?

Uma vez dito
Como não voltar no tempo
Nos momentos gravados na alma
Onde nunca pareceu fingido
O amor declarado em palavras
E ou mostrado em actos

Uma vez dito
Como acreditar que os olhos
Nos enganaram no que viram
E o coração não descobriu
A farsa por detrás da beleza do amor
Dito e mostrado

Como parar a força do vento
Inventar novo significado às palavras

Mas também como amar sem amar?
Viver entre folhas de figueiras.
Como guardar essa duplicidade
Ser e não ser?

Por tudo ser doloroso
Como escolher a dor menor?
A dor menos dor?

Nelson Livingston

segunda-feira, 4 de maio de 2009

NOSSA CONTRADIÇÃO


Procuro não ouvir-te
Mesmo quando me gritas
E me irritas
Tapo o coração
Com o silêncio da paz que invento
Quando pensas sou insensivel
Me pergunto se alguma vez te escutaste

Procuro calar-me
Quando me aperta
A vontade de te gritar de volta
Me esforço a ser sensível
Pois a natureza selvagem
Que tristemente ainda carrega
Me pede para ser como me queres

Me esforço a ser eu
Como eu sei que devo ser
E não como me pedes para ser
E isso tudo é uma contradição

Nelson Livingston

segunda-feira, 13 de abril de 2009

NO DIA EM QUE CRISTO MORREU

It doesn’t matter how high you jump on Sunday, but how straight you walk on Monday (Autor desconhecido)

No dia em que Cristo morreu
Como se me tivesse esquecido
Dei conta que sou cristão

Para mim
Nem é coisa tão chata ser cristão
É só ser um pequeno Cristo
Procurar viver a minha vidinha
Como se pequena fosse
Debaixo dos preceitos que Cristo estabeleceu
Nem tem nada a ver com os dias de semana
Segunda, Terça
Sábado ou Domingo
É coisa da semana inteira
De tempo todo

Para mim
É traduzir em prática
Conceitos teóricos
Coisas como honestidade, integridade
Sinceridade e outras “dades”
Passarem a serem tão naturais
Como o respirar com que nem dou conta
Ou o beber um copo de água

Olho para o céu estrelado
E já leio uma passagem bíblica
Escuto a suavidade da voz dum periquito
E tenho um coro de anjos a minha volta
Extasio-me no Azul intenso dum quadro “pagão”
E vejo Deus em cada ser humano
É Tão natural, tão contínuo
É tão Alfa e Ómega
Que não tenho como interromper

Ai como me seria pouco
Se essa enormidade divina

Coubesse na Igreja
A beleza da natureza se resumisse
Nas palavras escritas
E só nelas
Se o mar podesse ser feito tão pequeno
Que escapasse dos meus olhos
Para que eu visse Deus

Sou Cristão sim
Na simplissidade da vida
Sou cristão como disse o autor
Na saltar alto do louvor do Domingo
E no andar direito da Segunda Feira

Nelson Livingston

A FORÇA DA ESPERANÇA


Agora que o céu m’ensinou a cantar
Encheu-me a alma de estrelas
Madrugadas que vão com certeza virar manhãs de sol
Eu sei que vale a pena viver
Mesmo que seja com pouco ar nos pulmões
Chuva rara em meus campos
Vale a pena acreditar e esperar

As vezes
Meu sol s’esconde
Nas nuvens de tempestades assustadoras
Escondo o rosto
Nas alegrias que se foram
E espero o tempo melhorar
Porque sei
Que no ensurdecedor barulho dos trovões
Tem uma voz que me faz acreditar
Que eterno
O mau tempo não será

Eu sei
Sei tanto que mesmo sorvendo lágrimas
Elas me sabem doces
Me molham a garganta seca


Nelson Livingston

terça-feira, 24 de março de 2009

Se eu Sou Tomanguito?


Se Tomanguito está no Joni
Ou no Chiveve
Que diferença grande isso faz Melita?
Está longe do mesmo jeito!
É mesma dor
Mesma saudade no peito

Saudade que na ignorância
Da dor que cria
Nas almas que esfria
Não se importa com a distância
Ela nos aperta o coração
Mesmo que estivéssemos só
Do outro lado do rio

Agora,
Se eu sou Tomanguito
E ou Tomanguito sou eu
Isso é toda outra coisa
Isso sim faz toda diferença

Nelson Livingston

quinta-feira, 19 de março de 2009

Saudade da Amélia Mudungazi


Ai Amélia!
Quanto tempo que não escreves!
Não dizes nada
Para mim, Tomanguito, o mundo
Nem carta
Nem notícia
Nem novidade
Nem nada!
Tu está num silêncio xi!
Watani Melita?

Eu posso até entender porque não escreves
Posso imaginar que os apertos da vida
Te estejam apertando tanto
Que não te deixam escever
Mas esse saber todo
Esse imaginar perfeito
Não mata a saudade que me mata
Saudade de ouvir-te dizer algo.

Escreve Melita!
Vai?
Me diz se trouxeste caju de Macie
Para o branco educado
Aquele que como eu, te chama menina Amélia
Que diz “bom dia menina Amélia”
Aquele que como eu, gosta de cozinhar
Trouxeste caju para ele Melita?
E para mim trouxeste oque?

Manda notícias vai Melita
Ou de tanta saudades
Vais me matar himatensão

Nelson Livingston